terça-feira , 28 julho 2026
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Moradores de Fortaleza reclamam da escassez de remédios nas unidades de saúde

Moradores de Fortaleza que utilizam a rede pública de saúde têm expressado preocupações sobre a carência de medicamentos e a dificuldade em conseguir atendimento médico nas policlínicas e postos de saúde da cidade. As reclamações abrangem desde a falta de remédios essenciais para tratamento contínuo até a escassez de profissionais disponíveis para consultas.

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Depoimentos de pacientes

Um exemplo é o caso da irmã de Áurea Beatriz Gonçalo, que depende diariamente de cinco medicamentos para controlar esquizofrenia, TDAH, transtorno borderline e epilepsia. Há mais de um mês, ela se encontra sem acesso à olanzapina de 10 miligramas, um fármaco crucial para manejar suas crises.

“Essa medicação é fundamental para manter as crises dela sob controle. Se ela não tomar, há risco dela ter uma crise inesperada. Ela pode estar tranquila e, do nada, surtir”, contou Áurea Beatriz Gonçalo.

Ao buscar informações na Policlínica Dr. José Eloy, localizada no bairro Bonsucesso, a resposta que recebeu foi sempre a mesma: não há previsão para reposição do medicamento. “Esse remédio não pode faltar. Mesmo que ela tenha todos os outros medicamentos à disposição, sem ele os outros não são eficazes”, acrescentou.

Outros pacientes também sofrem com a falta de remédios. Maria Raimunda, que é beneficiária do BPC, necessita da gabapentina para aliviar dores provocadas por artrose, mas saiu da unidade sem o medicamento. “É complicado porque se formos comprar na farmácia eles retêm a receita, e essa receita não pode ser retida”, lamentou.

No posto de saúde Gothardo Peixoto, no bairro Damas, a farmácia encontra-se em reforma e aguarda autorização para reiniciar a distribuição dos medicamentos. Atualmente, eles estão sendo disponibilizados em outras unidades; no entanto, os principais relatos de insatisfação estão relacionados à ausência de médicos.

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Dificuldades no acesso às consultas médicas em Fortaleza

A aposentada Silvana Moreira Barreto tentou obter atendimento emergencial devido a uma forte gripe, mas não conseguiu consulta. “Vim aqui porque estou muito gripada e tossindo bastante. Ao chegar, informaram que não havia médico disponível para atender emergências”, disse ela.

A também aposentada Fátima Roque enfrentou problemas semelhantes mesmo com uma consulta agendada previamente; ela não conseguiu ser atendida e ficou sem receita para sua medicação contínua. “Não deu certo porque não tinha médico. Havia uma doutora que saiu. Agora teremos que esperar até quando? Segunda-feira vamos voltar só para remarcar?”, indagou.

A insatisfação é uma realidade partilhada por outros usuários do sistema. “Não tem médico nem enfermeiro aqui. Não há nada disponível. Nem vacina tem”, declarou o aposentado Francisco Flávio.

No início do ano passado, Fortaleza enfrentou uma crise significativa em relação ao desabastecimento de medicamentos. Na ocasião, o prefeito Evandro Leitão responsabilizou a gestão anterior pelo problema e assegurou que tudo seria normalizado até maio daquele ano.

Avanços no atendimento

Apesar das críticas generalizadas, alguns pacientes mencionam melhorias no atendimento quando comparado a períodos anteriores. Kátia Veríssimo comentou que antes da reforma na unidade não havia problemas com a disponibilidade de medicamentos: “Quando estava funcionando normalmente, nunca faltaram remédios. Mas devido à reforma estamos há meses sem medicações”, contou.

A aposentada Teresina Alves dos Santos compartilhou uma experiência positiva após sua consulta eletiva.

“Desde que fiquei doente, toda vez que venho aqui nunca faltou nenhum remédio. Tem sempre um bom estoque. Se não houvesse medicamentos disponíveis, a farmácia estaria fechada por conta das obras. O médico é excelente e o atendimento é muito bom”, relatou.

A Secretaria Municipal da Saúde divulgou uma nota afirmando que há previsão para entrega da gabapentina na Policlínica Dr. José Eloy até o final deste mês e também que a olanzapina 10 mg será reabastecida na mesma unidade nesse período.

Sobre o posto Gothardo Peixoto, a secretaria informou que ele está passando por requalificação com o objetivo de aprimorar o atendimento à população local. Durante as reformas, os serviços estão sendo realizados no posto Oliveira Pombo situado no bairro Couto Fernandes.

 Leia também | Fortaleza terá postos de saúde abertos no fim de semana do aniversário de 300 anos; saiba quais

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