Arquivo de Saúde Mental - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/saude-mental/ Wed, 27 May 2026 20:37:03 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.0.2 https://diariocearense.com/wp-content/uploads/2024/03/DIARIO-CEARENSE-1-150x150.png Arquivo de Saúde Mental - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/saude-mental/ 32 32 Maio Laranja e a urgência de enxergar o que o silêncio esconde https://diariocearense.com/maio-laranja-e-a-urgencia-de-enxergar-o-que-o-silencio-esconde/37/03/ Wed, 27 May 2026 20:37:03 +0000 https://diariocearense.com/maio-laranja-e-a-urgencia-de-enxergar-o-que-o-silencio-esconde/37/03/ Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças Coluna de Marcia Bortolanza Existem dores que não sabem pedir ajuda.A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa. O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização […]

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Psicóloga e escritora Marcia Bortolanza alerta para os impactos emocionais da violência infantil e destaca a importância da escuta, do acolhimento e da proteção permanente às crianças

Coluna de Marcia Bortolanza

Existem dores que não sabem pedir ajuda.
A dor de uma criança, muitas vezes, é silenciosa.

O Maio Laranja surge como um movimento de conscientização sobre o combate ao abuso e à exploração sexual de crianças e adolescentes, mas também como um alerta para algo que precisa ser discutido durante o ano inteiro: a necessidade de construirmos uma infância verdadeiramente protegida.

Nem toda violência deixa marcas visíveis. Algumas se escondem atrás de mudanças de comportamento, crises emocionais, medo excessivo, dificuldade de socialização, ansiedade, queda no rendimento escolar ou um silêncio repentino que ninguém consegue compreender.

A criança nem sempre consegue explicar o que sente. Muitas vezes, ela sequer entende o que está acontecendo. Por isso, o papel dos adultos é fundamental. Escutar, observar, acolher e acreditar são atitudes que podem interromper ciclos profundos de sofrimento.

Vivemos em uma sociedade cada vez mais conectada digitalmente, mas emocionalmente distraída. E isso também exige atenção. Crianças expostas precocemente à internet, redes sociais e ambientes virtuais sem supervisão tornam-se mais vulneráveis a diferentes formas de violência emocional e exploração.

A proteção infantil começa dentro de casa, nos vínculos de confiança, na presença afetiva e no diálogo constante. Uma criança emocionalmente acolhida desenvolve mais segurança para falar sobre desconfortos, medos e situações que a fazem sofrer.

Do ponto de vista psicológico, a violência na infância pode impactar toda a construção emocional do indivíduo. Muitas inseguranças, medos, dificuldades afetivas e sofrimentos na vida adulta têm origem em feridas emocionais não cuidadas durante os primeiros anos de vida.

Precisamos romper com a cultura do silêncio. Criança não inventa dor. Criança manifesta dor.

O Maio Laranja não deve provocar apenas comoção momentânea, mas consciência permanente. Proteger a infância é uma responsabilidade coletiva. É dever da família, da escola, das instituições e de toda a sociedade.

Porque toda criança merece crescer em um ambiente onde o medo não faça parte da rotina e onde o amor seja sempre maior que qualquer forma de violência.

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Mãe: entre o amor que acolhe e as marcas que permanecem https://diariocearense.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/05/01/ Fri, 15 May 2026 10:05:01 +0000 https://diariocearense.com/mae-entre-o-amor-que-acolhe-e-as-marcas-que-permanecem/05/01/ Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida. Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é […]

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Texto da escritora e psicóloga Marcia Bortolanza reflete sobre os vínculos maternos, as heranças emocionais e a construção afetiva ao longo da vida.

Falar de mãe é entrar em um espaço sagrado da experiência humana. Um lugar onde nascem vínculos, mas também onde, muitas vezes, se instalam silêncios difíceis de nomear. Porque mãe não é apenas quem cuida é quem, de alguma forma, inaugura em nós a forma de sentir o mundo.

É no olhar materno que aprendemos, ainda sem palavras, se somos vistos, amados e aceitos. É no colo ou na ausência dele que o corpo registra as primeiras impressões de segurança ou de falta. A mãe, portanto, não marca apenas a infância. Ela atravessa a vida inteira, habitando memórias, escolhas e afetos.

Na prática clínica, é possível perceber o quanto esse vínculo inicial ecoa na vida adulta. A forma como alguém ama, se entrega, se protege ou se afasta, muitas vezes carrega traços desse primeiro encontro com o cuidado. E aqui não se trata de buscar culpados, mas de compreender origens. Compreender para libertar, não para aprisionar.

Existe uma beleza possível na imperfeição. A mãe real distante da idealização é aquela que acerta e erra, que ama e também se cansa, que tenta, mesmo quando não sabe como. E é nessa humanidade que mora uma das maiores lições: o amor não é ausência de falhas, mas presença de verdade.

Também é preciso olhar com delicadeza para as mães. Por trás do papel, existe uma mulher que sente, que enfrenta seus próprios conflitos, que carrega histórias que começaram muito antes dos filhos. Muitas vezes, ela ofereceu o que tinha ainda que não tenha sido tudo o que o outro precisava.

Talvez amadurecer seja justamente isso:  reconhecer o que nos foi dado, elaborar o que faltou e escolher, de forma consciente, o que faremos com essa herança emocional. Porque, ainda que a mãe seja o início, ela não precisa ser o limite.

Neste tempo em que tanto se fala sobre maternidade, fica um convite mais profundo: Olhar para essa relação com verdade, compaixão e responsabilidade emocional. Honrar quando houve amor. Ressignificar quando houve dor. E, sobretudo, permitir que o cuidado consigo e com o outro continue sendo reconstruído.

Porque, no fim, a mãe permanece.
Não apenas como lembrança, mas como parte viva de quem nos tornamos.

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Nova NR-1 coloca saúde mental no centro da gestão das instituições de ensino superior https://diariocearense.com/nova-nr-1-coloca-saude-mental-no-centro-da-gestao-das-instituicoes-de-ensino-superior/08/02/ Tue, 28 Apr 2026 08:08:02 +0000 https://diariocearense.com/nova-nr-1-coloca-saude-mental-no-centro-da-gestao-das-instituicoes-de-ensino-superior/08/02/ Artigo de Janguiê Diniz destaca impactos da atualização da norma trabalhista e reforça a necessidade de prevenção de riscos psicossociais nas IES Coluna Janguiê Diniz A entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) representa um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas no campo da segurança e saúde no trabalho […]

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Artigo de Janguiê Diniz destaca impactos da atualização da norma trabalhista e reforça a necessidade de prevenção de riscos psicossociais nas IES

Coluna Janguiê Diniz

A entrada em vigor da nova redação da Norma Regulamentadora nº 1 (NR-1) representa um dos movimentos mais relevantes das últimas décadas no campo da segurança e saúde no trabalho no Brasil, com impactos diretos e profundos sobre as instituições de educação superior (IES). Mais do que uma atualização normativa, trata-se de uma mudança de paradigma que desloca o foco tradicional, historicamente concentrado em riscos físicos, químicos e biológicos, para uma abordagem mais ampla, incorporando, de forma explícita e obrigatória, os riscos psicossociais no ambiente de trabalho. 

Prevista para entrar em vigor no dia 26 de maio, a nova regulamentação impõe às instituições educacionais não apenas ajustes técnicos, mas uma revisão estrutural de seus modelos de gestão, cultura organizacional e práticas de relacionamento com seus colaboradores.

O primeiro passo consiste no abandono de uma postura reativa e na adoção de uma lógica preventiva e sistêmica. Isso porque a NR-1 estabelece o Gerenciamento de Riscos Ocupacionais (GRO) como um processo contínuo, estruturado e documentado, exigindo a identificação, avaliação, controle e monitoramento de todos os riscos que possam afetar a saúde dos trabalhadores, inclusive aqueles decorrentes da organização do trabalho, como sobrecarga, assédio, falta de autonomia e falhas de comunicação.

No contexto das instituições de educação superior, esse desafio ganha contornos ainda mais complexos. Trata-se de organizações marcadas por atividades simultâneas, pressões acadêmicas e regulatórias, demandas administrativas e relações interpessoais densas. Professores, coordenadores e técnicos frequentemente lidam com acúmulo de funções e exigências cognitivas elevadas. Não por acaso, o setor educacional figura entre os mais impactados por afastamentos relacionados à saúde mental, com índices expressivos de estresse, ansiedade e síndrome de burnout.

Por isso, a principal implicação da NR-1 para as IES está justamente na exigência de que esses fatores deixem de ser tratados como questões periféricas ou individuais e passem a integrar o sistema de gestão de riscos. Isso significa que a saúde mental deve ser incorporada ao inventário de riscos ocupacionais e ao plano de ação institucional, com o mesmo rigor aplicado a outros tipos de risco. 

A fiscalização não se limitará à existência de documentos. Ela exigirá coerência entre diagnóstico, medidas adotadas e resultados efetivos, com base em evidências concretas e participação dos trabalhadores. Em outras palavras, não será suficiente declarar boas intenções; será necessário demonstrar práticas consistentes e verificáveis.

Nesse sentido, a preparação das instituições deve começar por um diagnóstico aprofundado e setorizado dos riscos psicossociais. Não se trata de uma análise genérica, mas de um mapeamento que considere as especificidades de cada área e função. Essa abordagem evidencia um ponto central: a gestão de riscos psicossociais exige integração entre diferentes áreas da instituição, incluindo gestão de pessoas, segurança do trabalho, coordenações acadêmicas e alta administração.

Outro aspecto crucial é a mudança de foco das ações. A NR-1 é clara ao estabelecer que medidas exclusivamente individuais ou clínicas são insuficientes. O enfrentamento dos riscos psicossociais deve ocorrer prioritariamente no nível organizacional, por meio da revisão de processos, redistribuição de cargas de trabalho, melhoria dos fluxos de comunicação e fortalecimento das práticas de liderança. Essa diretriz desloca a responsabilidade do indivíduo para a estrutura institucional, exigindo das IES um compromisso real com a construção de ambientes de trabalho mais saudáveis, equilibrados e sustentáveis.

Além disso, a norma reforça a necessidade de participação ativa dos trabalhadores no processo de gestão de riscos. A escuta qualificada, por meio de pesquisas, entrevistas, grupos focais e canais de denúncia, deixa de ser uma prática recomendada e passa a ser uma exigência. Essa participação não apenas qualifica o diagnóstico, como também fortalece a cultura organizacional e amplia o engajamento dos colaboradores. Ao mesmo tempo, impõe às instituições o desafio de criar mecanismos seguros, confiáveis e efetivos de acolhimento e tratamento das demandas apresentadas.

Do ponto de vista jurídico e financeiro, os impactos da não conformidade são significativos. A ausência de gestão adequada dos riscos psicossociais pode resultar em autuações, multas e aumento de passivos trabalhistas, além de custos indiretos relacionados à queda de produtividade, aumento da rotatividade e perda de talentos.

Em síntese, a nova NR-1 apresenta às instituições duas possibilidades: encarar a norma como uma obrigação burocrática ou como uma oportunidade estratégica de modernização. Aquelas que optarem pelo segundo caminho estarão mais bem posicionadas para enfrentar os desafios contemporâneos, fortalecer sua reputação, atrair e reter talentos e cumprir, com maior qualidade, sua função social. Afinal, cuidar da saúde mental de quem ensina e administra as instituições não é apenas uma exigência legal, mas condição essencial para a excelência acadêmica e para o futuro da educação superior no país.

*Diretor-presidente da Associação Brasileira de Mantenedoras de Ensino Superior (ABMES), secretário-executivo do Brasil Educação – Fórum Brasileiro da Educação Particular, fundador e controlador do grupo Ser Educacional, e presidente do Instituto Êxito de Empreendedorismo.

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João Campos tem gestão mal avaliada e Recife cai no maior ranking de serviços públicos do Brasil https://diariocearense.com/joao-campos-tem-gestao-mal-avaliada-e-recife-cai-no-maior-ranking-de-servicos-publicos-do-brasil/48/52/ Thu, 05 Feb 2026 17:48:52 +0000 https://diariocearense.com/joao-campos-tem-gestao-mal-avaliada-e-recife-cai-no-maior-ranking-de-servicos-publicos-do-brasil/48/52/ Levantamento do Instituto Veritá mostra que a capital pernambucana ficou fora do top 10 nacional e aparece entre as piores do Nordeste em áreas essenciais O Recife vive um momento de forte desgaste na avaliação da gestão municipal. Dados do Instituto Veritá, responsável pelo maior levantamento independente sobre serviços públicos do Brasil, mostram que a […]

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Levantamento do Instituto Veritá mostra que a capital pernambucana ficou fora do top 10 nacional e aparece entre as piores do Nordeste em áreas essenciais

O Recife vive um momento de forte desgaste na avaliação da gestão municipal. Dados do Instituto Veritá, responsável pelo maior levantamento independente sobre serviços públicos do Brasil, mostram que a capital pernambucana ficou fora do top 10 das capitais com melhor desempenho. A pesquisa foi realizada em dezembro de 2025, com dados preliminares divulgados na segunda semana de janeiro de 2026, e revela que o município não atingiu a nota mínima de 4,9 necessária para integrar o grupo de excelência.

A maioria dos recifenses avalia de forma negativa a prestação de serviços essenciais e aponta falhas graves na transparência, no apoio social e no atendimento direto ao cidadão, indicando que a gestão do prefeito João Campos enfrenta uma crise de credibilidade.

O abismo da transparência

A nota 3,2 em Transparência (informações e gastos públicos) coloca o Recife em posição delicada no Nordeste. A capital empata com Teresina e supera apenas Natal (3,1), ficando muito atrás de São Luís (4,7) e Maceió (4,2). Para a maioria da população, o acesso a dados sobre o uso dos recursos públicos é insuficiente, o que dificulta o controle social e amplia a desconfiança na gestão.

Saúde mental em crise

Um dos piores desempenhos individuais do Recife está no apoio ao tratamento de dependência química, com nota 3,1 — abaixo da média nacional de 3,5. O dado evidencia uma lacuna severa na rede de proteção social e de saúde mental, em uma área de extrema sensibilidade.

Atendimento deficiente

O atendimento ao cidadão também aparece entre os piores indicadores, com nota 3,6. O resultado reflete a dificuldade da população em ter suas demandas resolvidas nos canais oficiais da prefeitura, reforçando a percepção de lentidão e ineficiência da máquina pública municipal.

O teto de vidro da excelência

Mesmo nos serviços considerados “melhores”, o Recife segue distante do padrão de excelência das capitais líderes. A limpeza urbana, melhor área avaliada na cidade, recebeu nota 5,3, enquanto Boa Vista alcançou 7,8. O contraste mostra que, mesmo onde a gestão local se destaca, ainda há grande distância em relação às referências nacionais.

Entre ilhas e abismos

Áreas como coleta de lixo (6,4) e educação (5,1) aparecem acima da média geral da cidade, mas não são suficientes para elevar o desempenho do Recife. No cenário regional, capitais como São Luís (5,7) e Maceió (5,4) se consolidam como exemplos, enquanto a capital pernambucana permanece marcada por opacidade administrativa e fragilidade social.

Os dados do Instituto Veritá apontam que a crise vai além de números: trata-se de uma ruptura na confiança entre a população e a gestão municipal. Enquanto outras capitais avançam, o Recife segue distante do padrão de excelência, com uma sociedade que cobra mais transparência, eficiência e políticas públicas que saiam do papel e cheguem a quem mais precisa.

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Janeiro Branco alerta para impactos emocionais em pacientes com doenças crônicas e seus familiares https://diariocearense.com/janeiro-branco-alerta-para-impactos-emocionais-em-pacientes-com-doencas-cronicas-e-seus-familiares/27/09/ Wed, 21 Jan 2026 11:27:09 +0000 https://diariocearense.com/janeiro-branco-alerta-para-impactos-emocionais-em-pacientes-com-doencas-cronicas-e-seus-familiares/27/09/ Especialista destaca que medo, ansiedade e sobrecarga podem evoluir para quadros graves sem acompanhamento psicológico. É possível manter a saúde mental convivendo diariamente com a dor? Como preservar o equilíbrio emocional quando os dias se passam em uma cama, em razão de uma enfermidade crônica? E, para familiares e cuidadores, como priorizar a própria saúde […]

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Especialista destaca que medo, ansiedade e sobrecarga podem evoluir para quadros graves sem acompanhamento psicológico.

É possível manter a saúde mental convivendo diariamente com a dor? Como preservar o equilíbrio emocional quando os dias se passam em uma cama, em razão de uma enfermidade crônica? E, para familiares e cuidadores, como priorizar a própria saúde mental diante de tantas demandas relacionadas ao cuidado do ente querido? Esses são alguns dos questionamentos levantados pela campanha Janeiro Branco, mês dedicado à conscientização sobre a saúde mental, que convida à reflexão sobre os desafios emocionais enfrentados por pessoas com doenças crônicas e seus familiares.

De acordo com Ana Paula Pessoa, psicóloga da Clínica Florence Recife, hospital especializado em cuidados paliativos e reabilitação, um dos maiores desafios para a saúde mental de pacientes e familiares é lidar com a incerteza e com as mudanças na rotina impostas pela condição de saúde. “Para o paciente, receber um diagnóstico crônico significa enfrentar limitações físicas e reajustar expectativas de vida. Já para a família, envolve uma reorganização completa do cotidiano, além da preocupação constante com o bem-estar, a atenção e os cuidados. A incerteza, as possíveis frustrações e expectativas desproporcionais podem gerar um estresse emocional significativo quando não há suporte adequado”, alerta.

Segundo a especialista, sentimentos como medo, frustração, tristeza, ansiedade e até culpa são comuns tanto entre pacientes quanto entre familiares. Além disso, desânimo, sensação de sobrecarga e sintomas depressivos tendem a se intensificar em períodos de tratamentos prolongados, internações longas, mudanças importantes na rotina e perdas de autonomia. “É um erro fingir que a condição não está afetando emocionalmente o paciente e seus familiares. Reconhecer esses sentimentos como legítimos é o primeiro passo para a elaboração desse momento de vida, para as adaptações necessárias e para a busca de maior estabilidade emocional”, afirma Ana.

Ao lidar com uma doença crônica, uma das poucas certezas para pacientes e familiares é que a enfermidade não desaparecerá. No entanto, na maioria dos casos, existem tratamentos para doenças crônicas capazes de melhorar a qualidade de vida do paciente. O mesmo vale para a saúde mental. A carga emocional do adoecimento e do cuidado tende a surgir (e, muitas vezes, a se intensificar), mas, segundo a psicóloga, há estratégias que ajudam a minimizar seus impactos, como reservar momentos de autocuidado e priorizar o acolhimento emocional.

É imprescindível manter um diálogo frequente com os profissionais de saúde que acompanham o paciente, além de fortalecer redes de apoio, como familiares, amigos e iniciativas comunitárias. O acompanhamento psicológico, mesmo que breve ou pontual, pode oferecer ferramentas práticas para lidar com o estresse, a tristeza e a incerteza, auxiliando no desenvolvimento de estratégias saudáveis de enfrentamento”, orienta a psicóloga.

Ainda segundo Ana Paula Pessoa, quando pacientes e familiares não reconhecem e acolhem os próprios sentimentos, a sobrecarga emocional não tratada pode evoluir para quadros mais graves, como depressão, transtornos de ansiedade e esgotamento emocional.

A atenção preventiva e o acompanhamento psicológico são tão importantes quanto qualquer outro tratamento. É fundamental para os familiares compreender os próprios limites, fortalecer a rede de apoio e buscar ajuda profissional sempre que necessário. Para os pacientes, a orientação é reconhecer cada etapa como parte do processo de adaptação à nova realidade, seguindo as recomendações da equipe de saúde não apenas no aspecto físico, mas também no psicológico”, reforça.

A psicóloga destaca ainda que pacientes e familiares se beneficiam de espaços seguros para expressar sentimentos, planejar estratégias de enfrentamento e fortalecer vínculos de cuidado mútuo. “Buscar acompanhamento psicológico não é sinal de fragilidade, mas de responsabilidade com a própria saúde emocional e também uma forma de estar mais fortalecido para cuidar de quem se ama”, conclui psicóloga Ana Paula Pessoa.

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Janeiro Branco: Cuidado com a Saúde Mental https://diariocearense.com/janeiro-branco-cuidado-com-a-saude-mental/06/02/ Mon, 13 Jan 2025 12:06:02 +0000 https://diariocearense.com/janeiro-branco-cuidado-com-a-saude-mental/06/02/ Artigo sobre Janeiro Branco, a importância de cuidar da saúde mental

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O início de um novo ano traz consigo reflexões, metas e esperanças. Não por acaso, janeiro é o mês escolhido para a campanha Janeiro Branco, que busca conscientizar sobre a importância da saúde mental. Assim como cuidamos do corpo, é essencial dar atenção à mente, pois é dela que parte o equilíbrio para enfrentar o cotidiano. A saúde mental é um pilar fundamental para o bem-estar e a qualidade de vida. As demandas da rotina, os conflitos emocionais e os desafios externos acabam nos afastando do autocuidado necessário.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), transtornos como ansiedade e depressão afetam 300 milhões de pessoas no mundo. Isso impacta não apenas os indivíduos, mas também nas famílias e comunidades. Por isso, o Janeiro Branco é um chamado: é hora de cuidar de si, prevenir problemas e construir uma vida mais leve.

Praticar o autoconhecimento é uma excelente forma de começar esse cuidado. Reservar um tempo para refletir sobre emoções, pensamentos e comportamentos pode trazer clareza e promover mudanças. Escrever um diário ou conversar com alguém de confiança pode ser um excelente início. Cuidar do sono é fundamental, pois o descanso de qualidade é essencial para o equilíbrio emocional. Criar uma rotina regular de sono e evitar o uso de telas antes de dormir pode ajudar. Outro ponto é manter-se ativo na prática de atividades físicas, como caminhada, dança ou yoga, libera endorfina, hormônio que melhora o humor e reduz o estresse.

A alimentação também desempenha um papel crucial. Uma dieta equilibrada, rica em frutas, verduras e cereais integrais, influencia o corpo e a mente. Fortalecer as conexões sociais é essencial. Manter contato com amigos e familiares, ter conversas sinceras e compartilhar momentos de alegria são fontes valiosas de apoio emocional. E, não menos importante, buscar ajuda profissional é um ato de coragem. Procurar um psicólogo, terapeuta ou outro profissional qualificado pode fazer toda a diferença para a saúde mental.

A saúde mental não é apenas a ausência de doenças: é a capacidade de viver plenamente, lidar com desafios e cultivar felicidade. O Janeiro Branco nos lembra de que a prevenção é o melhor caminho. Então, neste mês e ao longo de todo o ano, faça da sua saúde mental uma prioridade. Como dizia o filósofo grego Sócrates: “Conhece-te a ti mesmo.” Ao nos conhecermos e cuidarmos de nós, construímos um mundo saudável, acolhedor e harmonioso. Que 2025 seja um ano de transformação, começando de dentro para fora!

 Artigo de  Mario Lopes, psicanalista pós graduado em Neurociências e Psicologia aplicada, Master PNL (IBC), terapeuta integrativo. Instagram @mariolopesterapeuta.

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