Arquivo de Religião - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/religiao/ Wed, 09 Sep 2026 14:26:13 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1 https://diariocearense.com/wp-content/uploads/2024/03/DIARIO-CEARENSE-1-150x150.png Arquivo de Religião - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/religiao/ 32 32 Entre acusações e defesa: o que o processo de Maira Rocha revela sobre a disputa no espiritismo https://diariocearense.com/entre-acusacoes-e-defesa-o-que-o-processo-de-maira-rocha-revela-sobre-a-disputa-no-espiritismo/26/13/ Wed, 09 Sep 2026 14:26:13 +0000 https://diariocearense.com/entre-acusacoes-e-defesa-o-que-o-processo-de-maira-rocha-revela-sobre-a-disputa-no-espiritismo/26/13/ Documentos judiciais, parecer do Ministério Público e manifestações de envolvidos colocam em debate a origem do conflito e a repercussão nacional do caso Ministério Público classificou como perseguição religiosa a campanha para afastar a médium de eventos espíritas. Em 2024, ocorrência policial já registrava a ameaça de Guilherme Velho de “levá-la ao Fantástico”. Dois anos […]

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Documentos judiciais, parecer do Ministério Público e manifestações de envolvidos colocam em debate a origem do conflito e a repercussão nacional do caso

Ministério Público classificou como perseguição religiosa a campanha para afastar a médium de eventos espíritas. Em 2024, ocorrência policial já registrava a ameaça de Guilherme Velho de “levá-la ao Fantástico”. Dois anos depois, a reportagem foi ao ar, e quem acompanha Maira passou a ser tratado como “milícia digital”.

Nos últimos meses, a médium e a Casa da Caridade Inácio Daniel foram apresentadas ao país como caso encerrado. O portal Metrópoles falou em “milícia digital”. O Fantástico exibiu acusações ainda sob apuração como se fossem conclusões. Voluntários, frequentadores e mães enlutadas viraram “horda”, “séquito feroz” e “tropa de choque virtual”.

A desproporção salta aos olhos. As acusações partem de um grupo restrito de ex-voluntários e antigos frequentadores, que dizem não ter reconhecido o conteúdo de cartas ou mensagens recebidas. Do outro lado estão milhares de pessoas atendidas ao longo dos anos pela Casa da Caridade, que seguem apoiando Maira e reconhecem o trabalho social da instituição. Foi esse grupo majoritário, e não os acusadores, que passou a ser tratado como integrante de uma organização criminosa. É esse o massacre midiático que os espiritualistas ligados a Maira vêm sofrendo: não se discute mais o que elas acreditam, mas se elas têm o direito de acreditar sem serem rotuladas.

É preciso ser justo: não é toda a imprensa. Outros veículos, como a RedeTV!, e diversos canais têm noticiado o outro lado e aberto espaço para Maira se defender. O problema está em um setor específico da mídia, justamente o de maior alcance, que escolheu contar apenas metade da história.
Uma disputa que começou muito antes das manchetes
O que essa cobertura omite é que essa história não nasceu nas redações. Ela tem nome, data e processo.

Documentos, áudios e depoimentos reunidos no processo nº 0710534-11.2024.8.07.0014, hoje em fase de recurso no Tribunal de Justiça do Distrito Federal e dos Territórios, descrevem uma campanha organizada, iniciada anos atrás, para impedir que Maira fosse recebida em congressos, palestras, programas e centros espíritas.

No centro dessa campanha aparece Guilherme Velho, pesquisador espírita ligado à Federação Espírita Brasileira, a FEB, e uma das vozes mais ativas na contestação pública da mediunidade de Maira.

Segundo testemunhas ouvidas no processo, ele procurou dirigentes para colher assinaturas em abaixo-assinado contra Maira Rocha e Fernando Ben. Pressionou organizadores de eventos. Um dirigente de centro espírita em Santarém, Portugal, relatou ter recebido, de número atribuído a Guilherme Velho, mensagem pedindo que a médium não fosse recebida, com a afirmação de que ela teria saído “fugida” do Brasil e a menção a supostas denúncias na Federação Espírita do Distrito Federal, a FEDEF.

Em 19 de agosto de 2026, a 1ª Procuradoria de Justiça Criminal do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios analisou esse conjunto e opinou pela condenação dos acusados. O parecer afirma que as condutas ultrapassaram a mera divergência doutrinária e que os acusados teriam atuado como “inquisidores modernos” dentro do próprio espiritismo.

É preciso dizer com precisão: trata-se de um parecer em recurso, não de uma condenação definitiva. Mas é o Ministério Público, e não a defesa de Maira, quem descreve o caso como perseguição e discriminação religiosa.
O apoio institucional à campanha
Guilherme Velho não age sozinho. Em áudio já divulgado e que será encaminhado aos veículos citados, Paulo Maia, presidente da Federação Espírita do Distrito Federal, a FEDEF, declara apoio a Guilherme Velho em sua empreitada, a mesma que o Ministério Público classificou como perseguição religiosa.

O detalhe torna o registro ainda mais relevante: Paulo Maia é testemunha arrolada por Guilherme Velho no processo por intolerância religiosa. Quem depõe em favor do acusado, portanto, não é observador neutro, mas dirigente engajado na mesma campanha que o Ministério Público examinou.

A FEDEF não é uma entidade isolada. Ela integra o sistema federativo da Federação Espírita Brasileira, a FEB, entidade máxima do espiritismo no país, à qual o próprio Guilherme Velho é ligado. O apoio, portanto, vem de dentro da estrutura oficial do movimento espírita, e vem depois do linchamento público a que Maira foi submetida e do parecer do Ministério Público.

Uma federação religiosa tem todo o direito de discordar de uma médium. O que não se explica é que seu presidente empreste o nome da entidade a um esforço para excluir alguém do espaço religioso, justamente a prática que o Brasil já conheceu quando a polícia invadia centros e apreendia os livros de Allan Kardec.
Um linchamento anunciado
É preciso deixar claro o propósito desta matéria. Não se trata de atacar a imprensa, que em boa parte tem cumprido seu papel e ouvido os dois lados. Trata-se de expor fatos que foram omitidos: que Maira Rocha é parte em um processo por intolerância religiosa; que Guilherme Velho, a principal voz contra ela, é acusado nesse processo; e que nada disso foi dito ao público quando as acusações foram ao ar.

E há um detalhe que muda a leitura de toda a cobertura.

Em 2024, muito antes de qualquer reportagem ir ao ar, Maira Rocha registrou ocorrência policial relatando que Guilherme Velho a ameaçava de “levá-la ao Fantástico”. O boletim integra os autos do processo nº 0710534-11.2024.8.07.0014 e pode ser conferido por qualquer um.

Dois anos depois, o Fantástico exibiu a reportagem. Com as mesmas acusações. Com a mesma fonte.

Não se trata de dizer que a emissora agiu de má-fé. Trata-se de constatar que o programa acabou usado exatamente como havia sido anunciado: como instrumento de uma campanha que já corria na Justiça sob a acusação de intolerância religiosa. A ameaça foi registrada, documentada e depois cumprida.

Conforme informações e fontes ouvidas pela reportagem, existe ainda uma relação de amizade entre Guilherme Velho e pessoas ligadas à produção do Fantástico, entre elas integrantes da equipe que produziu a reportagem sobre Maira. Não se acusa ninguém de irregularidade. Mas é um fato que, somado à ameaça registrada em 2024 e à omissão do processo judicial, põe em xeque a independência das investigações ditas sobre Maira.

Conversar com fontes faz parte do jornalismo. A questão é outra: a emissora sabia que sua fonte já figurava em depoimentos judiciais como articulador de uma campanha para afastar Maira dos eventos espíritas? Sabia que essa mesma fonte havia sido apontada, em ocorrência policial, como quem prometia usar o programa contra a médium? Informou ao público que parte das acusações poderia ser desdobramento de um conflito iniciado anos antes?

Quando a mesma narrativa circula em grupos religiosos, canais de vídeo, portais e televisão aberta, cria-se a aparência de muitas fontes independentes. Muitas vezes, é uma só história repetida.
O que a defesa apresentou e ninguém mostrou
Maira Rocha não se calou. Apresentou um parecer grafotécnico particular que contesta os documentos divulgados como prova de fraude. Apresentou um áudio de 2020 em que se diz disposta a fazer uma demonstração pública de psicografia e a procurar o NUPES, da Universidade Federal de Juiz de Fora, para entender o teste que lhe propunham.

E, no episódio mais explorado, o da suposta doação induzida de R$ 300 mil, a própria família apontada como vítima gravou um vídeo negando qualquer pedido ou pressão. A iniciativa, disseram, foi da mãe. Maira apenas agradeceu.

A acusação ganhou manchetes nacionais. O desmentido da família não recebeu a mesma visibilidade. Um parecer técnico contra os documentos foi ignorado. Isso não é apuração, é escolha editorial.
Uma velha lógica com instrumentos novos
O Brasil já criminalizou o espiritismo. O Código Penal de 1890 punia com prisão quem “praticasse o espiritismo” para “subjugar a credulidade pública”. Médiuns foram presos dentro de centros; livros de Kardec foram apreendidos como prova.

Ninguém está sendo preso hoje. Mas a lógica é reconhecível: alguém se apresenta como autoridade para separar a mediunidade “verdadeira” da “falsa”, a prática religiosa é associada a fraude, e a pessoa é empurrada para fora dos espaços religiosos e para o banco dos réus, enquanto seus seguidores viram “milicianos”.

Vale lembrar que intolerância religiosa não é apenas uma questão moral: é crime. A Lei 7.716/1989 pune com um a três anos de reclusão quem pratica, induz ou incita discriminação ou preconceito por motivo de religião, pena que sobe para dois a cinco anos quando o ato é cometido por meios de comunicação ou redes sociais. Desde 2023, a injúria por motivo religioso também é tratada como crime de racismo, e a Constituição declara o racismo inafiançável e imprescritível. É nesse terreno que o Ministério Público situou a conduta atribuída a Guilherme Velho.

A liberdade religiosa não é salvo-conduto para crime. Havendo prova concreta, que se investigue e se responsabilize individualmente. Mas a liberdade de imprensa também não autoriza condenar antes do julgamento nem transformar uma comunidade de fé em suspeita coletiva.

Os veículos que têm ouvido os dois lados mostram que é possível fazer diferente. O que a sociedade precisa ver é o caso inteiro: as acusações, sim, mas também o processo, o parecer do Ministério Público, o laudo, o áudio, o vídeo da família e a origem da campanha. Só então cada leitor poderá decidir quem, nessa história, realmente persegue quem.

O espaço permanece aberto para manifestação do portal Metrópoles, da TV Globo, da equipe do Fantástico, de Guilherme Velho, de Paulo Maia, da FEDEF, da FEB e dos demais citados.

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Arcebispo de Fortaleza se reúne com casais em evento no Centro de Eventos https://diariocearense.com/arcebispo-de-fortaleza-se-reune-com-casais-em-evento-no-centro-de-eventos/20/05/ Fri, 24 Apr 2026 15:20:05 +0000 https://diariocearense.com/arcebispo-de-fortaleza-se-reune-com-casais-em-evento-no-centro-de-eventos/20/05/ A Arquidiocese de Fortaleza realiza neste domingo, 26 de abril, a edição 2026 do Sempre Encontrando, evento promovido pelo Encontro de Casais com Cristo (ECC). A programação ocorrerá das 8h às 18h, no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, e já conta com cerca de 6 mil inscritos.  >>>Clique aqui para seguir o canal […]

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Neste domingo, 26 de abril, a Arquidiocese de Fortaleza dará início à edição 2026 do evento Sempre Encontrando, organizado pelo Encontro de Casais com Cristo (ECC). A programação está agendada para ocorrer das 8h às 18h no Centro de Eventos do Ceará, em Fortaleza, e já conta com aproximadamente 6 mil participantes inscritos.

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Presença de Dom Gregório na programação

Destinado a casais, o encontro terá como tema “Mergulhar na Graça. Emergir pela Esperança”. A iniciativa incluirá momentos de oração, palestras, apresentações musicais e atividades de interação entre os participantes.

Um dos principais destaques será a participação do arcebispo de Fortaleza, Dom Gregório Paixão, que celebrará a missa programada para o evento. Além disso, estão confirmadas as performances da cantora Adriana Arydes, do músico Waldonys e do padre Josileudo Queiroz.

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Atividades de adoração e espaço dedicado às crianças

O cronograma também contempla adoração ao Santíssimo Sacramento, que será guiada pelos padres José Carlos e Vanderlúcio Souza. Momentos de animação ficarão por conta do padre Vicente Oliveira. Para aqueles que comparecerem com crianças, haverá um espaço infantil disponível durante todo o evento.

A organização informa que as inscrições seguem abertas até que todas as vagas sejam preenchidas. A taxa para participar é de R$ 30 por pessoa.

Integrando o calendário de eventos religiosos da Arquidiocese de Fortaleza, o Sempre Encontrando reúne pessoas de diversas paróquias da capital e da Região Metropolitana.

Confira a mensagem da Arquidiocese de Fortaleza sobre o Sempre Encontrando 2026:

Um encontro preparado por Deus para fortalecer o amor, renovar a fé e transformar famílias. Organizado pelo ECC – Encontro de Casais com Cristo da Arquidiocese de Fortaleza, este evento é uma oportunidade única para nos unirmos em um dia repleto de reflexão e alegria.

Palestra: Dom Gregório Paixão, OSB, Arcebispo Metropolitano de Fortaleza, abordará o tema “Mergulhar na Graça. Emergir pela Esperança”. Também contaremos com a presença dos nossos diretores espirituais.

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Sobre o Encontro de Casais com Cristo (ECC)

O Encontro de Casais com Cristo (ECC) é um movimento evangelizador da Igreja Católica focado em casais já casados. Sua missão é fortalecer os vínculos matrimoniais e auxiliar os cônjuges a colocar Cristo no centro da vida familiar. O encontro normalmente acontece em formato de retiro espiritual ao longo de três dias (geralmente na sexta à noite até domingo), proporcionando um ambiente propício à oração, reflexão e partilha.

A proposta do ECC é facilitar um encontro pessoal com Jesus Cristo, ajudando os casais a se reconectarem consigo mesmos, com seus filhos, com a comunidade cristã e com a vocação matrimonial. O objetivo é reconhecer a família como uma “igreja doméstica”, onde amor, diálogo e testemunho do Evangelho devem prevalecer.

<pDurante o encontro, os participantes assistem a palestras inspiradoras, recebem depoimentos enriquecedores de outros casais e participam de dinâmicas grupais que abordam temas como comunicação, perdão, intimidade espiritual, educação dos filhos e justiça social. O formato é desenvolvido "por casais e para casais", contando com o suporte de casais missionários que vivenciaram essa experiência anteriormente e continuam engajados nas pastorais familiares.

O Sempre Encontrando 2026 Fortaleza é uma realização do Encontro de Casais com Cristo (ECC).

Serviço
Data: 26 de abril de 2026
Horário: 8h às 18h
Local: Centro de Eventos do Ceará – Fortaleza
Inscrições: https://www.e-inscricao.com/ecc-arquidiocese-de-fortaleza/sempreencontando

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Bairro de Fátima, em Fortaleza, reverencia Nossa Senhora com mudança de nome https://diariocearense.com/bairro-de-fatima-em-fortaleza-reverencia-nossa-senhora-com-mudanca-de-nome/16/02/ Fri, 13 Mar 2026 15:16:02 +0000 https://diariocearense.com/bairro-de-fatima-em-fortaleza-reverencia-nossa-senhora-com-mudanca-de-nome/16/02/ A história do Bairro de Fátima, em Fortaleza, está profundamente ligada à religiosidade. Conhecido atualmente por abrigar o Santuário Nossa Senhora de Fátima, o bairro nem sempre teve esse nome e passou por transformações ao longo das décadas, até se tornar uma das áreas mais conhecidas da capital cearense.  >>>Clique aqui para seguir o canal […]

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A história do Bairro de Fátima, em Fortaleza, está profundamente ligada à religiosidade. Conhecido atualmente por abrigar o Santuário Nossa Senhora de Fátima, o bairro nem sempre teve esse nome e passou por transformações ao longo das décadas, até se tornar uma das áreas mais conhecidas da capital cearense.

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Origem e desenvolvimento da identidade

Antes de ganhar a atual denominação, a região era chamada de Redenção, em referência à cidade cearense de Redenção, reconhecida por ter sido a primeira do Brasil a abolir a escravidão. Na época, por volta da década de 1930, a área era marcada pela presença de sítios e casarões e servia como rota de passagem para comerciantes que transportavam mercadorias em direção ao bairro Benfica, então já consolidado como uma das regiões mais ricas de Fortaleza.

Com o passar do tempo, o cenário começou a mudar, especialmente após a construção da igreja que se tornaria um dos principais símbolos do bairro. A origem do santuário está ligada à chegada ao Brasil da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, vinda de Portugal, em 1952. Naquele mesmo ano foi lançada a pedra fundamental da igreja durante uma missa campal. Três anos depois, em 1955, o templo foi oficialmente inaugurado.

Desde então, o local passou a se tornar um importante centro de devoção religiosa na cidade, recebendo visitas ao longo de todo o ano tanto de moradores quanto de turistas. A cada dia 13 de cada mês, data dedicada à santa, são celebradas missas durante todo o dia. Além das celebrações, a igreja permanece aberta para fiéis que buscam momentos de oração, silêncio e reflexão em meio à rotina urbana.

Para muitos devotos, a presença do santuário representa um espaço de acolhimento espiritual. O taxista Pedro Alves, frequentador do local, descreve a experiência de passar pelo templo como algo marcante. “É sempre uma alegria imensa e conforta muito o coração, o espírito, quando a gente entra nessa igreja. Simplesmente por passar em frente e fazer um sinal da cruz, a gente já se sente em sintonia com o sagrado.”

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Relação com a religião moldou a relação da população de Fortaleza com o bairro de Fátima

A relação entre o bairro e a religiosidade também foi determinante para a mudança de nome da região. Segundo o historiador Fábio Martins, a influência da igreja e da devoção popular fez com que o antigo nome fosse gradualmente substituído.

“O bairro de Fátima começa sendo Redenção, e ele foi adquirindo esse nome por conta da Igreja de Fátima. Esse bairro tem uma relação com a religiosidade muito forte. Então ele deixa de ser Redenção e passa a ser bairro de Fátima, por conta de alguns fatores. Primeiro, da Igreja de Fátima. Segundo, por causa de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, peregrina, que vem pra cá, pra Fortaleza, em 1952. Daí resolve-se então fazer em homenagem à imagem de Nossa Senhora aqui no bairro, a igreja.”

A mudança de nome ocorreu cerca de um ano após a inauguração do santuário. No mesmo período, também foi aberta a Avenida 13 de Maio, importante via da cidade. O nome da avenida faz referência à data associada às aparições de Nossa Senhora aos pastores em Fátima, em Portugal.

O historiador explica que a abertura da avenida foi parte de um processo de reorganização urbana da região, que até então era marcada por propriedades rurais e áreas de passagem.

“Essa região, ela tinha muitos sítios, casarões, mas também era um local de passagem, de comércio. E, então, resolveu-se fazer o quê? Resolveu-se fazer uma avenida para melhorar o fluxo de passagem. Daí você tem a Avenida 13 de Maio, onde foi feito aqui um acordo com os donos de terra para que pudesse abrir essa avenida. E aí ela se dá no mesmo momento em que também está se construindo a igreja.”

Com o tempo, o bairro se desenvolveu ao redor do santuário e ao longo da Avenida 13 de Maio. Na praça em frente à igreja, um monumento de Nossa Senhora se tornou outro ponto de referência para quem passa pelo local. Nos arredores, o crescimento urbano trouxe também diversos estabelecimentos comerciais, como restaurantes, cafés e clínicas médicas.

Hoje, o Bairro de Fátima integra a Regional IV de Fortaleza e faz divisa com bairros como Joaquim Távora, José Bonifácio e o próprio Benfica. A região, que antes era formada por sítios e áreas rurais, passou a abrigar uma população de classe média e, ao longo dos anos, consolidou-se como um dos bairros mais movimentados da capital. A proximidade com instituições e equipamentos urbanos também contribuiu para esse crescimento, segundo o historiador.

“É um bairro que cresceu, cresceu por conta dessas questões religiosas e cresceu por conta da sua localização estar próxima à questão da universidade, à rodoviária. E é o comércio também que vai aumentar esse fluxo para cá, inclusive tornando um dos bairros hoje de classe média alta aqui de Fortaleza.”

Moradores destacam a importância da fé no dia a dia do Bairro de Fátima

Para muitos moradores, porém, o principal significado do bairro continua sendo a fé. A dona de casa Rachel Conceição afirma que encontrou no local um espaço de acolhimento espiritual. “Depois que eu cheguei aqui, no bairro de Fátima, especialmente aqui no Santuário de Fátima, eu encontrei um abrigo. Nossa Senhora é forte, ela é muito poderosa. Antes mesmo da fundação, já existia o santuário no coração das pessoas.”

Além dos moradores, profissionais que frequentam a região também destacam a importância espiritual do local. Para o médico Wandemberg Morais, o santuário representa um ponto de conexão com a fé dentro da cidade. “Para mim, entrar na igreja, ajoelhar-me ali, fazer uma oração, é estar em contato com Deus. E eu acho que Fortaleza é agraciada, é abençoada pela simples existência dessa igreja aqui entre nós.”

Com sua história marcada pela devoção e pela transformação urbana, o Bairro de Fátima permanece como um dos principais pontos de encontro de fiéis em Fortaleza, reunindo diariamente pessoas que buscam celebrar a fé e manter viva a tradição religiosa que ajudou a moldar a identidade da região.

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