Arquivo de leitura - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/leitura/ Tue, 29 Sep 2026 08:13:04 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://diariocearense.com/wp-content/uploads/2024/03/DIARIO-CEARENSE-1-150x150.png Arquivo de leitura - Diario Cearense https://diariocearense.com/marcas/leitura/ 32 32 Em tempos de tantas telas, 760 mil pessoas escolhem os livros na Bienal de São Paulo https://diariocearense.com/em-tempos-de-tantas-telas-760-mil-pessoas-escolhem-os-livros-na-bienal-de-sao-paulo/13/04/ Tue, 29 Sep 2026 08:13:04 +0000 https://diariocearense.com/em-tempos-de-tantas-telas-760-mil-pessoas-escolhem-os-livros-na-bienal-de-sao-paulo/13/04/ Número de visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reforça a permanência da leitura em meio à expansão das tecnologias e das novas formas de consumo de informação Coluna Marcia BortolanzaEscritora e Psicóloga “Enquanto houver alguém disposto a abrir um livro, haverá uma janela aberta para enxergar o mundo de outra maneira.” […]

O post Em tempos de tantas telas, 760 mil pessoas escolhem os livros na Bienal de São Paulo apareceu primeiro em Diario Cearense.

]]>
Número de visitantes da 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo reforça a permanência da leitura em meio à expansão das tecnologias e das novas formas de consumo de informação

Coluna Marcia Bortolanza
Escritora e Psicóloga

“Enquanto houver alguém disposto a abrir um livro, haverá uma janela aberta para enxergar o mundo de outra maneira.” Marcia Bortolanza

Em uma época em que disputamos nossa atenção com telas, notificações, vídeos de poucos segundos e uma quantidade quase infinita de informações, um número merece nossa atenção: 760 mil pessoas passaram pela 28ª Bienal Internacional do Livro de São Paulo.

Foram dez dias de encontro com livros, autores, histórias e ideias. Mais do que um recorde de público, esse número nos convida a refletir sobre algo que talvez estejamos subestimando: o livro continua vivo. E muito vivo!

Para mim, esta Bienal teve também um significado muito especial. Estive novamente presente, agora com “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido” e que alcançou a marca de best-seller, e também com o lançamento da Trilogia da Solidariedade, ao lado da editora Literare Books.

Voltar à Bienal levando um livro que nasceu de uma convicção tão profunda,  a de que a solidariedade também pode ser ensinada desde a infância e vê-lo alcançar tantos leitores foi uma experiência que ultrapassou qualquer resultado editorial. Foi perceber que uma mensagem na qual acredito encontrou eco em outras pessoas.

A “Trilogia da Solidariedade” reúne três livros que nasceram em momentos diferentes, mas carregam o mesmo fio condutor: o poder transformador da solidariedade. Uma trajetória que começou com “E depois que o coração aperta?”, passou por “Menos espelhos e mais janelas” e chegou a “Criança Solidária, Adulto Bem Sucedido”. Três livros, um mesmo propósito: do coração para atitudes concretas.

A tecnologia transformou a maneira como nos comunicamos, trabalhamos e buscamos conhecimento. A inteligência artificial já faz parte do nosso cotidiano e continuará modificando nossa relação com a informação. Mas há algo na experiência da leitura que nenhuma velocidade consegue substituir: o encontro silencioso entre aquilo que alguém escreveu e aquilo que o leitor sente ao ler.

Como psicóloga, vejo a leitura também como um exercício de humanidade. Quando acompanhamos uma história, entramos por alguns instantes na realidade do outro. Conhecemos dores que não são nossas, realidades diferentes e conflitos que talvez nunca tenhamos vivido. Exercitamos imaginação, concentração, empatia e reflexão.

E como escritora, estar novamente na Bienal reforçou em mim uma certeza: escrever é acreditar que uma ideia pode atravessar distâncias e chegar a alguém que talvez nunca encontremos pessoalmente. É colocar uma parte de nossas experiências, inquietações e aprendizados em palavras e permitir que elas sigam seu próprio caminho.

Talvez por isso seja tão bonito observar milhares de jovens, crianças, adultos e famílias caminhando entre livros. Em um mundo que tantas vezes nos convida à superficialidade e à pressa, escolher um livro também é escolher permanecer um pouco mais.

A Bienal terminou, as portas se fecharam e os estandes foram desmontados. Mas o mais importante começa justamente depois: quando cada livro comprado chega a uma casa, é aberto e encontra seu leitor.

Porque uma Bienal não termina quando o último visitante vai embora.

Ela continua em cada página virada, em cada criança que descobre o prazer de ler, em cada jovem que encontra uma história na qual se reconhece e em cada adulto que percebe que ainda pode mudar de ideia, ampliar seu olhar ou simplesmente se emocionar.

Talvez seja essa uma das maiores forças dos livros: eles não mudam apenas estantes, “Eles podem mudar pessoas”. Até a próxima!

O post Em tempos de tantas telas, 760 mil pessoas escolhem os livros na Bienal de São Paulo apareceu primeiro em Diario Cearense.

]]>
71% dos brasileiros nunca foram incentivados a ler, aponta estudo https://diariocearense.com/71-dos-brasileiros-nunca-foram-incentivados-a-ler-aponta-estudo/47/30/ Tue, 11 Mar 2025 12:47:30 +0000 https://diariocearense.com/71-dos-brasileiros-nunca-foram-incentivados-a-ler-aponta-estudo/47/30/ A análise destaca uma preocupação com a formação de leitores no país e os potenciais impactos culturais e sociais dessa realidade no futuro

O post 71% dos brasileiros nunca foram incentivados a ler, aponta estudo apareceu primeiro em Diario Cearense.

]]>
Uma pesquisa recente revelou um dado preocupante sobre a leitura no Brasil: 71% da população afirmou nunca ter sido incentivada por ninguém a ler. O número faz parte do levantamento Retratos da Leitura no Brasil 2024, que evidencia um aumento significativo em relação aos 66% registrados em 2019, acendendo um alerta sobre a formação de leitores no país.

Mas o que isso significa na prática? Sem estímulos de pais, amigos, professores ou figuras públicas, o hábito da leitura – essencial para o desenvolvimento pessoal e social – perde força. No Brasil, onde apenas 48% da população se declara leitora, a falta de influência positiva pode ser uma das razões para o declínio no consumo de livros e no interesse pela literatura.

Tiago Pissolati, doutor em Literatura pela Universidade Federal de Santa Catarina, analista institucional de Língua Portuguesa e Literatura da Rede Lius Agostinianos e professor de Literatura no Colégio Santo Agostinho – Nova Lima, afirma que o dado reflete um problema estrutural de incentivo cultural no Brasil. O professor explica que o ato de ler é frequentemente herdado pelo exemplo. “Leitores não nascem prontos. O hábito é formado pelo convívio com pessoas que valorizam a leitura, que mostram como os livros podem ser transformadores. Quando essa influência está ausente, a leitura perde espaço para outras atividades”, aponta.

Entre essas outras atividades, destaca-se o uso da internet. Segundo a pesquisa, 78% dos brasileiros ocupam o tempo livre navegando online, sendo que 71% dedicam-se a aplicativos de mensagens como WhatsApp e Telegram. A leitura de livros, em contrapartida, tornou-se uma prática menos comum, sobretudo entre os jovens, que têm acesso massivo a conteúdos fragmentados e imediatos nas redes sociais.

Uma questão de prioridade

A falta de fomento ao hábito de ler não é apenas uma questão familiar ou escolar; ela reflete a prioridade dada à cultura na sociedade brasileira. O estudo mostra que muitos entrevistados reconhecem a importância de ler, mas não encontram motivação ou tempo para incorporar o hábito em suas rotinas. Isso evidencia uma lacuna que não está sendo preenchida nem pelo ambiente doméstico, nem pelas políticas públicas.

“A leitura não é só uma atividade prazerosa. Ela é uma ferramenta de formação crítica, de exercício da empatia e de compreensão do mundo. Sem estímulo, as pessoas deixam de se conectar com essas possibilidades”, afirma Pissolati. O especialista destaca o papel essencial das escolas nesse cenário, mas alerta: “Sozinhas, as instituições de ensino não conseguem reverter esse quadro. É necessário um esforço conjunto entre famílias, comunidades e o Estado.”

Caminhos para reverter o quadro

Apesar do cenário desafiador, há soluções possíveis. Pissolati acredita que recuperar o  “gosto pela leitura” passa por iniciativas que aproximem os livros da vida cotidiana das pessoas. Clubes de leitura, projetos literários nas escolas e eventos que celebram a literatura são caminhos para despertar o interesse e mostrar que os livros podem ser mais atraentes do que aparentam.

Além disso, programas de incentivo que envolvam diretamente as famílias são considerados fundamentais. “Estudos internacionais indicam que crianças que crescem em lares com livros ou que têm pais leitores são mais propensas a desenvolver hábitos de leitura ao longo da vida”, enfatiza o professor.

O especialista ressalta que a falta de estímulo à leitura vai muito além da redução do consumo de livros; ela afeta diretamente a capacidade crítica, a criatividade e o desempenho educacional da população. “Estudos mostram que leitores frequentes têm maior facilidade para interpretar textos, resolver problemas e se comunicar de forma eficaz – habilidades fundamentais no mercado de trabalho e na vida em sociedade.”

No entanto, o Brasil segue na contramão. “Com o aumento do número de brasileiros que nunca foram incentivados a ler, o país corre o risco de formar gerações menos preparadas para lidar com os desafios do mundo contemporâneo”, avalia.

No Colégio Santo Agostinho, Pissolati e sua equipe têm trabalhado para reverter este cenário. Após a pandemia, a escola adotou uma série de estratégias para incentivar a leitura. “Estipulamos que as leituras obrigatórias para os alunos sejam feitas com livros impressos, não aceitamos e-books ou leituras digitais para essas atividades”, conta o professor. Além disso, ele menciona que a escola adota uma abordagem integrada, envolvendo professores de diversas disciplinas na escolha de obras literárias, o que cria um ambiente mais rico para o desenvolvimento do hábito de ler.

Mas Pissolati também aponta que as dificuldades não são exclusivas dos alunos. “Nós, como educadores, também enfrentamos o desafio de manter o hábito da leitura. Vejo muitos colegas e até eu mesmo, que sou professor de Literatura, reconhecendo que não estamos mais lendo como antes. Isso é algo com que precisamos lidar com urgência”, confessa.

Pissolati enfatiza que não é tarde para reverter o cenário, mas é preciso agir agora. “Mais do que uma questão cultural, essa é uma responsabilidade coletiva, que envolve escolas, famílias, comunidades e políticas públicas” conclui.

O post 71% dos brasileiros nunca foram incentivados a ler, aponta estudo apareceu primeiro em Diario Cearense.

]]>